Impacto da Tarifa de Trump na Embraer: Ações em Queda e Avaliação em Curso
A imposição de uma nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros por Donald Trump, com início previsto para 1º de agosto, já está reverberando no mercado financeiro, especialmente para a Embraer. A gigante brasileira da aviação, com sede em São José dos Campos (SP), informou que está avaliando os possíveis impactos dessa medida em seus negócios de exportação para os Estados Unidos.
A reação do mercado foi imediata. As ações da Embraer (EMBR3) registraram uma queda significativa na Bolsa de Valores nesta quinta-feira, refletindo a preocupação dos investidores com o aumento dos custos de exportação, o que pode levar a uma diminuição na demanda e, consequentemente, a um possível adiamento de entregas. No momento da divulgação da notícia, as ações ordinárias da empresa caíram 6,88%, atingindo R$ 72,75, com mínima de R$ 71,63.
Em nota, a Embraer declarou que o tema será amplamente debatido em sua próxima conferência de resultados do segundo trimestre, agendada para o dia 5 de agosto. A empresa também afirmou que está trabalhando junto às autoridades competentes para tentar restabelecer a alíquota zero dos impostos de importação para o setor aeronáutico.
Os números da Embraer nos Estados Unidos são expressivos. Segundo o balanço do primeiro trimestre, a empresa possui 181 aeronaves comerciais já encomendadas para serem entregues a seis companhias aéreas americanas. Além disso, a SkyWest encomendou 60 aeronaves adicionais durante o Paris Air Show em junho, em um contrato avaliado em US$ 3,6 bilhões.
Analistas da XP Investimentos alertam para "impactos potenciais" nas operações da Embraer, destacando a forte presença da empresa no mercado norte-americano, que representa cerca de 24% da receita total. O relatório da XP Investimentos aponta para um risco de queda de 14% a 15% no lucro da Embraer. Isso porque a montagem final dos jatos executivos acontece na Flórida, utilizando peças produzidas no Brasil. Com a nova tarifa, o custo total da taxa pode saltar de US$ 360 milhões (com a tarifa atual de 10%) para US$ 1,8 bilhão, representando um aumento de 400%.
A economista Lucy Aparecida de Sousa, do Conselho Regional de Economia, ressalta que ainda é cedo para prever os impactos de forma mais ampla, mas que o setor já está reagindo. Ela destaca a possibilidade de atrasos combinados nas próximas encomendas, enquanto as negociações em andamento são acompanhadas de perto.
O cenário é de cautela e expectativa, com a Embraer buscando alternativas para minimizar os efeitos da nova tarifa imposta pelos Estados Unidos. O mercado aguarda ansiosamente os resultados da conferência de agosto para obter uma visão mais clara dos impactos a longo prazo e das estratégias que a empresa adotará para enfrentar esse novo desafio.
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